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27 de Junho de 2019

Entenda o projeto da Cura Gay

Responsável por causar manifestações gerais, o projeto da Cura Gay teve sua ascenção e queda em tempo recorde.

examedaoab.com, Agente Publicitário
Publicado por examedaoab.com
há 3 anos

Entenda o projeto da Cura Gay

Independentemente das opiniões individuais sobre o assunto, o projeto da Cura Gay é real e quase fez parte de nossa realidade em pleno século XXI.

Por mais espanto que projetos e outras medidas que visam “transformar” a orientação sexual de um indivíduo possam causar, a existência deles sinaliza a necessidade urgente de se debater sobre o assunto.

Uma vez que pessoas influentes, como os políticos, começam a bradar determinados gritos de guerra e a obter o apoio de uma parte expressiva da população (vide as manifestações a favor da Cura Gay nas redes sociais), é seguro dizer que o que parecia ser subentendido está, na verdade, atuando como poeira que se varre para baixo do tapete.

Portanto, esclarecer o que é FATO e o que é CRENÇA é o primeiro passo para que a intolerância a qualquer tipo de adversidade comece a trilhar o longo caminho da concórdia.

O que é o projeto da Cura Gay?

O projeto Cura Gay, também conhecido pelos nomes Terapia da Reorientação Sexual, Terapia de Conversão ou Terapia Reparativa, consiste no conjunto de técnicas que tem o objetivo de extinguir a homossexualidade de um indivíduo.

Tal conjunto de técnicas inclui métodos psicanalíticos, cognitivos e comportamentais. Além disso, são utilizados tratamentos de ordem clínica e religiosa.

O assunto se tornou extremamente polêmico por se referir à orientação sexual como uma doença, já que a palavra CURA implica a eliminação de um “mal”.

Entretanto, desde a década de 90, a OMS (Organização Mundial da Saúde) descartou qualquer possibilidade de que a orientação sexual dos indivíduos esteja relacionada à uma doença.

Assim sendo, a OMS determinou que a homossexualidade pode ser definida como uma variação natural da sexualidade humana e não deve ser considerada como doença.

Dessa maneira, em 1999, o Conselho Federal de Psicologia proibiu que seus profissionais fizessem parte de quaisquer tipos de terapias que tenham o objetivo de alterar a orientação sexual de qualquer pessoa.

Seguindo o mesmo caminho, o Conselho Federal de Medicina também deixou claro que a homoafetividade deixou de ser vista como uma condição patológica pela classe médica há mais de 30 anos.

A aprovação do projeto da Cura Gay

O deputado federal do PSDB de Goiás, João Campos, foi quem protocolou na Câmara dos Deputados, em 2011, um PDC (Projeto de Decreto Legislativo) para suspender a resolução do Conselho Federal de Psicologia.

Dois anos depois de tentativas de votação infrutíferas e sob muitos protestos de outros parlamentares e da população em geral, o projeto foi aprovado em 18 de junho de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Ascenção e queda do projeto da Cura Gay

Apenas 15 dias após o deferimento do PDC de sua autoria, o Deputado João Campos levou à Câmara um requerimento que pedia o cancelamento da tramitação de sua proposta.

Isso aconteceu graças à manifestação do próprio PSDB que se mostrou contrário à solicitação de seu Deputado.

O arquivamento foi aprovado por quase todos os partidos, exceto pelo PSOL. O partido do Deputado Jean Wyllys queria mais do que o arquivamento da proposta: o partido exigia que tal proposta não pudesse ser reapresentada.

No dia 4 de julho, dois dias depois da aprovação do requerimento para cancelamento do trâmite do PDC do Deputado João Campos, um novo projeto para extinguir a determinação do Conselho Federal de Psicologia foi apresentado à Câmara. Porém, agora, o pedido teve indeferimento imediato.

O indeferimento de projetos como este, entretanto, tem data de validade. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, quando o trâmite de uma proposta é cancelado, outra de conteúdo semelhante não poderá ser apresentada no mesmo ano em que a primeira foi cancelada.

Portanto, a ameaça de um novo projeto da Cura Gay ainda paira sobre nossas cabeças. Aguardemos cenas dos próximos capítulos...

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Fonte: Blog ExamedaOAB

43 Comentários

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"Portanto, a ameaça de um novo projeto da Cura Gay ainda paira sobre nossas cabeças. Aguardemos cenas dos próximos capítulos..."

Nossas Cabeças???

Olha, "Cura Gay" não é o nome do projeto, mas como ele foi apelidado por aqueles que eram contrários. Então não há que se falar em eliminação de um "mal" quando nos referimos ao tal projeto.

O que me incomoda nesse pessoal que afirma defender as minorias é justamente as contradições que eles deixam escapar em seus discursos. Eles afirmam que nem o Estado, nem ninguém ou qualquer organização possuem o direito interferir nas decisões de cunho subjetivo da pessoa.

Eles defendem, por exemplo, a descriminalização total do aborto afirmando que não se pode impedir que alguém decida sobre seu próprio corpo, e que ninguém tem nada com isso, mesmo existindo ali uma outra vida (eu disse outra vida).

Então, alguém poderá dizer (e vai dizer): "uma coisa é a questão da sexualidade, outra é a questão do aborto". Eu sei! Mas estou aqui apenas utilizando o mesmo princípio que norteia a ambos: "o direito que uma pessoa tem de fazer, decidir, se comportar, usar aquilo que bem deseja".

Mas para eles uma pessoa pode, por exemplo, fazer aborto à vontade, pode se manifestar mostrando sua nudez nas ruas..., etc..., mas não pode procurar um profissional para buscar uma orientação que tenha como objetivo compreender e decidir sobre sua sexualidade.

FAÇA-ME O FAVOR. continuar lendo

Exatamente! Pelo que entendi, o projeto não visa acabar com o homossexualismo, apenas permite que os profissionais adequados possam orientar adequadamente aqueles que não se sentem a vontade com sua condição homossexual. Isto, é, uma homossexual que por diversos motivos, inclusive o religioso, não se sinta bem tendo atração sexual pelo mesmo sexo, não pode pedir ajuda de um psicólogo, para que através de terapia e outros procedimentos, possa tentar se abster desse desejo. Isso é ridículo! O absurdo, a tal "cura gay" seria se isso fosse imposto a todos os homossexuais, coisa que não vi em tal projeto. continuar lendo

Concordo totalmente com o Renato Batista. Nessa linha de pensamento um matador de aluguel deve ser respeitado como tal eis que é sua "orientação profissional" continuar lendo

Mais uma discussão dos ressentimentos desnecessários.
Bobagem o estado e o concelho de psicologia interferir nesta questão.
Quem se importa se alguém quer continuar sendo ou quer deixar de ser heterossexual ou homossexual. Neste tema, as pessoas deveriam ter a liberdade de procurar ajuda para tentar ser o deixar de ser. continuar lendo

A questão aqui é: pessoas homossexuais não podem deixar de o ser através de procedimentos clínicos ou psicologicos. Não se trata apenas de uma escolha individual, é uma questão biológica também. Para além disso, se conhecesse os métodos utilizados por estas instituições que efetuam a "cura gay" perceberia que não são dignos de um ser humano e que podem gatilhar várias inseguranças e até traumas. O estado e o concelho de psicologia fizeram muito bemem interferir, já que parte da população, na sua inocência, acha que a sua homossexualidade é um problema a eliminar.
Temos de deixar de colocar a heterossexualidade num pedestal e começar a aceitar que as outras sexualidades têm igual importancia. O brasil ainda tem um longo caminho pela frente, a mera apresentação desta proposta comprova-o. continuar lendo

Como dito no artigo, há uma vedação do conselho de psicologia que impede que profissionais da área prestem auxílio àqueles que querem um tratamento para a opção sexual. Aliás, frise-se: muita gente possui crise de identidade, não sabe ao certo "do que gosta", e precisa de auxílio psicológico.
O projeto objetiva justamente dar liberdade aos profissionais da área para que atuem, quando provocados, nestes casos. Não se trata, de forma alguma, de espécie de cura compulsória de homossexuais ou afins. continuar lendo

Entendo que se o conselho federal de psicologia permitisse que seus profissionais fizessem parte de quaisquer tipos de terapias que tenham o objetivo de alterar a orientação sexual de qualquer pessoa, seria a influencia da crença dos psicólogos na vida de seus pacientes. Isso permitira, por exemplo, que psicólogos atuassem com o objetivo de fazer com que seus pacientes virassem homossexuais. continuar lendo

O título do artigo criou a expectativa de que iria esclarecer o que o projeto (que não se chama cura gay) estava propondo, mas revelou-se apenas uma argumentação contrária ao projeto - direito do articulista, é claro.
Sem entrar na polêmica dos "contra ou a favor", não vejo ameaça pairando sobre cabeça alguma se um gay quiser deixar de se-lo ou vice-versa. Transformem-se à vontade, com ou sem a ajuda dos psicólogos, ora essa! continuar lendo